Mídia e música: como fugir do óbvio?

A Agenda-Setting ou Teoria do Agendamento, elaborada na década de 1970 pelos pesquisadores americanos Maxwell McCombs e Donald Shaw, nos traz o pressuposto de que os meios de comunicação de massa pautam nossas conversas cotidianas e comportamentos. Tal princípio pode ser também aplicado à relação entre o jornalismo e a indústria musical, tendo em vista que o sucesso e a credibilidade de uma produção são adquiridos, essencialmente, através da divulgação por parte da grande mídia. A predileção musical é parte da nossa formação; sendo assim, é valido pensar se o que escutamos realmente reflete nossas preferências ou estamos nos perdendo na onda das tendências.

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Para a professora de música Helena Dóris Sala, regente do Coral Unijuí, a mídia influencia diretamente em nossas preferências musicais. “O que prejudica a nossa visão musical é escolher apenas um cantor, uma banda, um estilo, e escutar isso a vida inteira. A música é muito mais do que isso, e às vezes a mídia diz, realmente, que dois, três estilos e bandas são melhores do que os outros. Isso se relaciona até com o que vamos vestir, nas gírias que falamos, dentre outras coisas”, afirma.

Os cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda da Unijuí têm a preocupação de proporcionar a reflexão de questões como essa na formação dos acadêmicos, estudadas em disciplinas como Produção de Áudio e Radiojornalismo. A professora Helena recomenda, porém, que a educação musical não seja trabalhada apenas pelas áreas que a utilizam diretamente: “Desde que você está na barriga da mãe já escuta música, já está recebendo influências. Por isso, é muito importante proporcionar a musicalização para as crianças desde cedo; assim, elas vão ser apresentadas a diversos estilos e vão poder dizer com propriedade do que gostam”, salienta.

A dica para estar ligado nas mais diversas referências musicais é o empenho para encontrar meios alternativos àqueles com os quais temos contato diariamente. Podemos ir além das sensações que a música produz em nós ou nos benefícios sociais que ela nos proporciona, avaliando o conjunto da obra. Que tal dar uma passadinha pelos canais de música na TV? MTV, Bis, VH1, Multishow e PlayTV são boas opções. Temos ainda a oportunidade de visitar dezenas de sites e canais relacionados ao tema no Youtube, além das tradicionais Billboard e Rolling Stone e do que ouvimos no rádio. Assim como na busca por conteúdo de qualidade nos veículos de comunicação, é fundamental nos desvencilharmos do comum e sermos ecléticos também na área musical.

 

Daiana Dal Ros, acadêmica de Jornalismo da Unijuí.

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Gestora da Mídia Ninja participa de aula de Jornalismo Digital

Cláudia Schulz, ijuiense que vive no Rio de Janeiro, compartilhou experiências de midiativismo na noite de quinta,  4 de maio, com a turma de Jornalismo Digital da Unijuí

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Uma rede de comunicadores com mais de 1 milhão e meio de seguidores apenas no Facebook. O Mídia Ninja aposta numa lógica colaborativa de criação e compartilhamento de conteúdos, priorizando o olhar de quem está na rua. E pode ser considerado uma das principais referências em mídia alternativa no país, tendo relevância nacional e internacional.

Cláudia Schulz é uma das gestoras nacionais do grupo, que é articulado com a Rede Fora do Eixo, uma rede socio-cultural de trabalhos colaborativos. Na última quinta, 4 de maio, Cláudia compartilhou experiências do trabalho dos ninjas com a turma de Jornalismo Digital.

A Mídia Ninja prioriza a linguagem do “aqui e agora”, no que Cláudia chamou de um “estado permanente de documentário”. Embora a equipe da Mídia Ninja em si não seja tão grande – cerca de 25 pessoas – há a formação de uma rede conectada com pessoas e organizações de diversas partes do país, e diversos canais de diálogo com o público, prontos para receber e filtrar materiais que possam ser compartilhados nas redes da Mídia Ninja e apresentar o “olhar de quem está na rua”.

Para os acadêmicos de Jornalismo Digital, que nessa semana iniciam a publicação de conteúdos on-line com o site Redação K1, o conselho de Cláudia foi buscar trabalhar uma linguagem jovem, que é a linguagem predominante na internet e, aliado a isso, tentar trazer também outras pessoas para o engajamento com a produção.

Palestra ZH: Jornalismo investigativo com Humberto Trezzi

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Está chegando mais uma edição da Palestra ZH, que leva repórteres, editores, fotógrafos e designers de Zero Hora para um bate-papo com os estudantes das universidades gaúchas. Na UNIJUÍ, o evento acontece no dia 17 de maio, a partir das 19 horas, no Auditório da Sede Acadêmica. Este ano o tema do debate será “O jornalismo investigativo” com Humberto Trezzi.

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Humberto Trezzi – Foto: Jefferson Botega

Trezzi trabalho há 32 anos como jornalista. Atua como repórter e analista de segurança em Zero Hora, com a coluna Sua Segurança. É formado na Pontifícia Universidade Católica de Porto Alegre (PUC) e trabalha há 28 anos em ZH, nas editorias Geral e Polícia, com passagens pela Política e por cadernos especializados. Nestes anos de profissão ganhou 63 prêmios de jornalismo, entre eles o Esso Nacional e diversos na área de Direitos Humanos. É um dos autores do livro Os Infiltrados, sobre espiões que atuaram durante a ditadura militar brasileira. É autor do livro Em Terreno Minado, sobre cobertura jornalística em áreas de risco.

Humberto é um dos jornalistas mais premiados do Brasil, fez coberturas criminais no Rio de Janeiro e em São Paulo, cobrindo ações do Comando Vermelho e do PCC. Participou, como enviado especial, de coberturas no Paraguai, Uruguai, México, Equador, Colômbia, Angola, Timor Leste, Haiti, Egito, Líbia, Chile, Argentina, Uruguai, entre outros países.

Ficou interessado? Então não deixe de participar!

 

 

 

Programação especial marca 21 anos de TV OVO

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Para comemorar seus 21 anos, a TV OVO preparou neste mês uma série de atividades. Uma programação voltada para a cultura, a comunicação, o jornalismo e a reflexão e o debate destes temas foi organizada para acontecer de 06 a 13 de maio.

A primeira atividade será um workshop de reportagem cinematográfica no sábado, dia 06, com Lúcio Alves, repórter cinematográfico da TV Globo Brasília. O workshop, acontece das 8h às 12h e das 14h às 18h, na sede da TV OVO, os participantes poderão experimentar na prática e refletir sobre os elementos para a construção de uma narrativa fotográfica para reportagem especial. São 20 vagas ofertadas. As inscrições podem ser feitas até 04 de maio pelo formulário, no valor de R$ 60 integral e R$ 30 meia. As vagas são confirmadas através do pagamento na sede da TV OVO até o dia 04.

Na segunda feira, dia 08, a programação traz o Colóquio novas formas de fazer jornalismo. O debate contará com a presença da Cláudia Schulz, da Mídia Ninja, de Caio Cavechini, do Profissão Repórter e de Sérgio Lüdtke, do Interatores, escola de consultoria em mídias digitais de Porto Alegre. O colóquio será no Theatro Treze de Maio, às 20h30. A mediação é da professora Laura Storch do Departamento de Comunicação da UFSM. A entrada é gratuita e as senhas para estudantes e professores podem ser retiradas nas coordenações dos cursos de Jornalismo de Santa Maria e Região, e para o público em geral, na bilheteria do teatro a partir do dia 02 de maio.

Já na quarta-feira, 10 de maio, acontecerá o pré-lançamento do documentário #Resistência no Clube Comercial (Rua Venâncio Aires, 1972), às 20h30. O filme é dirigido e narrado por Eliza Capai, que frequentou o #OcupaAlesp, #OcupaMinc-RJ, #OcupaFunart-SP, a Marcha das Vadias RJ e a Parada LGBTT de São Paulo. Durante os meses interinos de Michel Temer, ela acompanhou as ocupações aos prédios públicos e às ruas, dando voz aos seus protagonistas. Após o documentário, terá debate com a diretora. Eliza atua desde 2001 como documentarista e com temáticas relacionadas à cultura, gênero e sociedade. Dirigiu os filmes Cicloativistas e Severinas. Em 2015, viajou um mês pela Angola, onde surgiu o thriller É proibido falar em Angola, sobre os presos políticos do país e o Especial Angola. Já ganhou inúmero prêmios. A entrada é gratuita.

Na quinta-feira, dia 11, será realizado o Colóquio Narrativas Audiovisuais e Informações, que contará com a presença do jornalista Marcelo Canellas, da comentarista Elisa Capai e da jornalista e fundadora da Rede de Jornalistas Livres, Laura Capriglione. O debate permeará questões acerca de como contar histórias e a relação com o outro, pensando nas linguagens audiovisuais que perpassam a reportagem televisiva, vídeos informativos para a internet e o documentário. A atividade acontece no Theatro Treze de Maio, às 20h30. A entrada é gratuita por meio da retirada de senhas a partir do dia 02 de maio.

E para encerrar a programação, no sábado, dia 13, acontecerá o lançamento dos documentários sobre os distritos de São Valentin, dirigido por Jaiana Garcia e Santo Antão, dirigido por Marcos Borba, no Livro Livre da Feira do Livro, às 19h. Haverá bate-papo com os diretores após a exibição.

Os colóquios e o lançamento dos documentários da TV OVO integram a programação da 44ª Feira do Livro de Santa Maria. Dúvidas e/ou informações pelo e-mail tvovo@tvovo.org, pelos telefones 3026 3029 ou por mensagem inbox pela página da TV OVO.

 

 

 

 

 

 

Social Media: muito além de likes e tweets

 

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A inovação do mercado de trabalho exige uma atualização constante de seus profissionais e das próprias empresas. Cargos novos precisaram ser criados para dar conta dessa demanda como, por exemplo, o de Social Media. O termo ainda carece de maior entendimento das empresas e dos próprios profissionais, bem como a importância da função. O Social Media é responsável por toda a comunicação de uma empresa nestes novos espaços da comunicação corporativa. Facebook, Twitter, Linkedin mudaram a forma como as corporações se comunicam com seu público e há então necessidade de um profissional que cuide desta área.

Podem atuar na produção de conteúdo e gerenciamento de ambientes digitais profissionais das áreas de Jornalismo, Relações Públicas e Publicidade e Propaganda, mas engana-se quem pensa que a rotina de trabalho de um analista de mídias sociais se resume a passar o dia clicando no botão curtir do Facebook ou tuitando.

O dia a dia depende de estratégia, conhecimento dos negócios da companhia em questão e domínio das principais ferramentas sociais. Afinal, ser estratégico no meio digital virou conceito de ordem para o sucesso das empresas. Conforme o professor de jornalismo do Departamento de Ciências Administrativas, Contábeis, Econômicas e da Comunicação – DACEC, Felipe Dornelles, para saber qual é a ferramenta da vez é preciso estar atento a pesquisas de comportamento do consumidor no ambiente digital.

“A melhor forma de aproximar a empresa do consumidor é fornecer conteúdo aos clientes, não apenas produtos e serviços. Já o retorno pode ser medido por diversas ferramentas de mensuração de resultados, aplicadas a qualquer rede social. As métricas podem auxiliar, inclusive, no planejamento dos conteúdos”, frisa Felipe. Segundo ele, é preciso estar atento às novidades da área digital, gostar de aprender sobre diversos temas e não ter limitação de tempo para trabalhar.

A mulher na publicidade

Em setembro do ano passado a deputada federal Erika Kokay (PT-DF) enviou à Câmara um projeto de lei que prevê a proibição de publicidade que exponha ou estimule agressão ou violência sexual contra mulheres. Se a proposta for aprovada, toda publicidade impressa, eletrônica ou audiovisual que desrespeitar as regras poderá ser retirada de veiculação e as agências responsáveis podem levar uma advertência e uma multa que varia entre R$5 mil e R$200 mil.

Mulheres na Publicidade

Segundo Márcia Regina Conceição de Almeida, professora de Publicidade e Propaganda, do Departamento de Ciências Administrativas, Contábeis, Econômicas e da Comunicação (DACEC), a lei pode funcionar por causa da punição o que incentivaria uma mudança de orientação por parte das instituições. Ela afirma, também, que a imagem da mulher, em muitas publicidades, principalmente as de moda, ainda tem como destaque o corpo, as formas e medidas consideradas perfeitas.

Mesmo assim, pode-se perceber uma tentativa de mudança, como, por exemplo, a Skol, uma marca de cerveja que sempre trouxe o corpo da mulher como forma de vender seu produto e que no começo deste ano convidou algumas artistas como Carol Rosseti, Eva Uviedo e Tainá Criola para recriar cartazes considerados ofensivos, em uma campanha que lhe rendeu muitos elogios.

“Levando em consideração outras campanhas e agências que tem se levantado em ativismo, penso que estamos avançando no que tange as diversas formas de preconceito. A Skol dá visibilidade a esta mudança pela legitimidade de ter um histórico de objetificação da imagem da mulher e se reinventa, surpreendendo pela aderência do seu novo mote publicitário com a venda do produto. Ele continua falando do seu universo “redondo”, mas empodera o representativo, em pessoas de diversas formas, cores, desejos e sentimentos”, explica Márcia.

O projeto está sendo analisado pelas comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, Defesa dos Direitos da Mulher, de Constituição e Justiça, e de Cidadania.

Por Manuela Joana Engster, acadêmica de Jornalismo.

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Sigilo da fonte jornalística: uma garantia prevista em constituição

Se um jornalista for chamado a depor diante de um juiz, em processo criminal ou cível, ele tem o direito constitucional de não revelar o nome da pessoa que lhe concedeu a informação jornalística utilizada em sua matéria, caso essa revelação coloque em risco o exercício profissional. O direito é assegurado pela Constituição Federal e a negativa não causará responsabilidade penal.

Sigilo de fonte

Esse é um tema que gera muitas dúvidas na população e mesmo em muitos profissionais da área. O sigilo de fonte é essencial, sobretudo para o trabalho investigativo. “Em especial naqueles temas que implicam mostrar o que em geral alguns querem esconder da opinião pública. Como há fontes que só permitem revelar as informações que sabem sob a condição do sigilo, esse se faz crucial para o trabalho do jornalista”, afirma o professor de Jornalismo, Marcio Granez, do Departamento de Ciências Administrativas, Contábeis, Econômicas e da Comunicação.

Segundo o professor a quebra do sigilo telefônico do jornalista se configura em um grave risco à liberdade de informação, já que o sigilo se justifica por proteger a fonte e, ao final, o interesse maior da sociedade em ter acesso aos fatos. “Nas sociedades que prezam pela liberdade de imprensa e de informação, esse sigilo é assegurado”, conclui.