Último livro publicado em vida por Ernest Hemingway completa 65 anos

“O Velho e o Mar”, último livro publicado em vida por Ernest Hemingway, em 1952, fala das lutas de um velho pescador com um grande peixe em alto mar. Livro que para o leitor proporciona várias emoções, e também leva a muitas interpretações. Hemingway, após o grande sucesso de “Por Quem os Sinos Dobram?”, em 1940, entrou em jejum de dez anos, que foi quebrado com o livro “Do Outro Lado do Rio, Entre as Árvores”, livro que foi muito criticado pelos especialistas.

Neste ano de 2017 celebram-se os 65 anos da publicação de “O Velho e o Mar”. Por isso vale a leitura de um grande clássico, que com toda a certeza, junto com as outras grandes obras do autor, rendeu-lhe o Nobel de Literatura de 1954. Hemingway, além de um grande escritor, atuou como jornalista. Com o espírito aventureiro e pelo dever do ofício de repórter, cobriu a Guerra Civil Espanhola para a North American Newspaper Alliance, sendo esta experiência a fagulha que resultou num dos romances mais importantes do autor, “Por Quem os Sinos Dobram?”.

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Foto: Divulgação

Com uma expressão objetiva, que se pode perceber captada do texto jornalístico, Hemingway em “O Velho e o Mar” conseguiu transpor para os leitores a vida de um pescador idoso, há 85 dias sem conseguir pescar um peixe sequer. O velho Santiago — o pescador — sai mais um dia para o mar, sempre nutrindo a esperança, nesse dia ele fisga um grande peixe e trava uma batalha nas águas. Quando enfim, depois de dias de batalha, o velho consegue vencer o grande peixe e amarrá-lo ao barco, enfrenta novos desafios. Exausto, quando chega à praia, o velho vai a sua cabana e sonha com leões.

Hemingway em uma entrevista relata da criação das personagens falando que o velho é um velho, o peixe é um peixe etc. “Tentei criar um velho genuíno, um rapaz genuíno, um mar genuíno, um peixe genuíno e tubarões genuínos. Se o tiver feito bem e forem suficientemente verdadeiros, podem significar muitas coisas”, finaliza.

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Foto: Divulgação

 

Érico Hammarström, acadêmico de Jornalismo – Agência de Notícias

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Modestamente, ela brilhou

Eliane BrumNão poderia ter sido diferente. Eliane Brum deu um show com palavras doces, penetrantes e informativas em sua palestra realizada no dia 11, promovida pela Jornada de Saúde Mental do Hospital Bom Pastor.

Um discurso preparado letra por letra. Mãos trêmulas seguravam o papel onde estavam guardadas as reflexões que a palestrante queria provocar no público. Reflexões contadas através de gigantes jogos de palavras e ritmo que sensibilizava a audição.

Como resistir ao ato de fechar os olhos e imaginar as histórias e as palavras poéticas que a jornalista ia despejando paulatinamente para seu público? Era como viajar no tempo, e se descobrir criança. Relembrar a época quando contavam histórias para dormirmos. Só que com uma diferença: as histórias contadas por Eliane não eram contos de fadas, eram vida real, como a de Vanderlei: O gaúcho de cavalo-de-pau, “o louquinho da Expointer” e a do Acumulador, Oscar Kulemkamp. Assunto sério.

Eliane alertava para os perigos da história única, inclusive para os perigos de uma imprensa que conta as mesmas histórias sempre. Afinal, como ela mesma afirmou, poucas coisas são tão cruéis do que não se reconhecer na história.

Eliane nos tocou com sua palestra. Como nos toca com todos os textos que escreve. Nos tirou da nossa zona de conforto para repensar a concepção que temos sobre nós mesmos. Todas as palavras ditas em seu discurso tinham vida, não apenas gramática, porque, afinal, “uma frase só existe quando é a extensão em letras da alma de quem as diz”.

Por isso, muito cuidado com as formas como você anda escolhendo suas fontes, com os termos que anda usando na construção de matérias, com a objetividade que enclausura seus textos, porque a maior lição jornalística que Eliane nos traz e nos trouxe é que “não existem vidas comuns apenas olhos domesticados”.