Sobre Usina de Ideias

A Usina de Ideias é a agência experimental de comunicação do curso de Comunicação Social da UNIJUI. É um espaço pedagógico que tem como objetivo colocar os alunos em contato com a realidade do mercado, atendendo clientes internos da Universidade e externos a ela.

GaúchaZH: unindo forças para inovar  

 

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Acadêmicos com Diego Araújo, na última noite de Semana Acadêmica da Comunicação. Foto: Talita Mazzola 

O sexto e último dia de Semana Acadêmica da Comunicação abriu espaço para a proposta ZH na Faculdade, idealizado pelo Jornal Zero Hora com objetivo de debater com alunos de Jornalismo de todo Estado os rumos e avanços da comunicação. Desta vez, o jornalista e editor de esporte do Grupo, Diego Araújo, foi quem visitou a Unijuí para abordar o tema GaúchaZH: o produto de uma integração.

Segundo Diego, 58% dos leitores do jornal Zero Hora ouvem a Rádio Gaúcha e 64% dos ouvintes da rádio leem o jornal. “Estávamos falando para o mesmo público de formas diferentes. Dividindo forças ao invés de unifica-la. Por exemplo, quando deslocávamos repórteres para coletivas, ia um de cada veículo para fazer a mesma pauta, escrever a mesma matéria, que depois seria disponibilizada em duas plataformas diferentes. Então pensamos: por que não unir?”, comenta.

O projeto de unificação teve início em 2014, quando, após a contratação de uma empresa especializada em pesquisa de mercado, foram apresentados dados que indicaram que esse era o caminho a ser seguido. “O objetivo foi reunir o melhor da Gaúcha e da ZH com um conteúdo exclusivo em um só lugar. Ou seja, reunimos notícias, esportes e opinião com credibilidade e instantaneidade”, explica. A reestruturação também fez com que a apresentação do grupo fosse diferenciada nas mídias, ou seja, além da unificação do site, os aplicativos que antes eram cinco, tornaram-se três, e os perfis nas redes sociais passaram a ser um só.

Questionado sobre as dificuldades enfrentadas pela mudança, já que se trata de dois veículos tradicionais, o jornalista frisou que a mudança verdadeira se deu apenas no ambiente digital e isso não fez com que fossem perdidos leitores ou ouvintes, pelo contrário, uniu forças. Porém, como toda mudança, há aqueles pontos que ainda precisam ser melhorados. “O problema maior em uma integração desse tipo é a cultura, são dois veículos extremamente tradicionais e com sucesso, mas com culturas completamente diferentes. Esse processo de aprendizagem é de vai e volta, erra e acerta. É um processo que tem que ter muita paciência”, conclui.

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Diego destacou que o esporte representa 95% da audiência da GaúchaZH hoje. Foto: Giuli Ana Izolan

Questionamento dos acadêmicos:

Uso de release

Release é uma pauta como qualquer outra. Você tem que checar a informação, se não checar e publicar o release, tu abres a guarda e pode comprometer todo teu trabalho.

Fake News

Nós somos a antítese da Fake News. Eu estou ansioso pelas Eleições, pois vai ser um terreno vasto para ver como o público vai se posicionar. Se vai pela Fake News, como foi nas últimas Eleições, ou se vai buscar veículos tradicionais e confiáveis em busca de credibilidade. Então está com o público, não tem muito o que a gente fazer, nós temos que dizer para ele [público] “Aqui a gente faz jornalismo profissional”, mas se o amigo dele do trabalho é mais importante como líder de opinião, nesse caso o Fake News vai ganhar. A gente precisa fazer a nossa parte e vamos torcer pelo público.

 

Entrevistas pelas redes sociais

Não sou contra, acho inclusive que as facilidades da comunicação precisam ser aproveitadas. Mas tenho um certo pré-conceito – e ele é muito particular – com o fato de se fazer entrevistas publicamente, ou seja, em um grupo de WhatsApp ou postar no Facebook uma pauta em busca de fonte. Acho que dessa forma comprometemos nossa exclusividade e se perdermos a exclusividade [enquanto jornalistas] estamos mortos.

 

GDI como diferencial

O Grupo de Investigação da RBS é uma marca da tradição da Zero Hora que está migrando para todas as plataformas. Partimos da ideia da necessidade de ‘alargar’ as notícias e as reportagens produzidas pelo GDI são um diferencial para o nosso produto.

 

Giuli Ana Izolan, acadêmica de Jornalismo.

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TV OVO: reconhecimento e seriedade por meio da mídia colaborativa

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Com objetivo de motivar acadêmicos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda para o desenvolvimento de iniciativas que promovam a cultura e o fazer audiovisual, um dos fundadores da TV OVO, Alexsandro Pedrollo de Oliveira, compartilhou na noite da última quarta-feira, 16 de maio, a experiência de mídia colaborativa que acontece há 22 em Santa Maria. A TV Oficina de Vídeo Oeste (TV OVO), nasceu em maio de 1996 por meio de uma iniciativa de Paulo Tavares que levou às comunidades da região oeste oficinas de vídeo que tinham como objetivo inserir e ensinar aos jovens o fazer audiovisual.

Alexsandro foi um dos alunos do projeto, aos 13 anos, e parceiro no ano seguinte para tornar o projeto uma iniciativa permanente na comunidade. “A ideia era bem simples, fazer com que os jovens produzissem material audiovisual”, comenta. O caminho, no entanto, foi longo e dependeu de muitas parcerias estabelecidas ao longo desses 22 anos de história, às quais permanecem até hoje dando suporte à proposta. Ao longo dessa trajetória, muitos trabalhos foram realizados e projetos colocados em prática, o que só foi possível por meio de uma intensa doação por parte dos voluntários e parceiros. “Toda base da TV OVO é baseada no trabalho voluntário. Você não vai trabalhar voluntariamente com aquilo para o resto da vida, ou vai, se essa for sua opção de vida como é a nossa lá. Mas você também tem que se comprometer. É parte do comprometimento se doar. É como uma criança, dar os primeiros passos e construir uma trajetória sólida”, explica.

Hoje a TV OVO se encontra em um espaço de sede própria, cedido pelo jornalista Marcelo Canellas, e conta com cerca de 16 voluntários envolvidos no fazer diário das atividades e projetos da TV, além dos gestores que, segundo Alexsandro, participam das decisões e das produções em seu tempo livre. O projeto tornou-se reconhecido não apenas em Santa Maria, mas também no cenário nacional e internacional, sendo uma referência na produção de conteúdo audiovisual sério e de qualidade. Além disso, a TV OVO conta com dois projetos recentes em andamento: o Cronicaria e Rock do K7. O primeiro é uma parceria entre os jornalistas Marcelo Canellas e Manuela Fantinel, que tem como objetivo divulgar crônicas sobre a cidade de Santa Maria, além de ser uma confraria literária. É o olhar santa-mariense sobre o mundo para além dos morros que os cercam. Já o segundo projeto é uma narrativa musical que conta sobre lendas, amores, desamores e o cenário do Rock in Roll de Santa Maria nos anos 70, 80 e 90.

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Questionamento dos alunos

De que forma é possível pensar em uma produção de conteúdo de qualidade por meio da comunicação colaborativa?

“Você tem que trabalhar com o potencial de cada colaborador da comunicação colaborativa. Por exemplo, se você tem um parceiro que trabalha com fotografia, tem alguém que é muito bom com texto, tem uma equipe que é boa com edição, audiovisual ou mídias sociais, é isso. Tu pega o potencial das pessoas, desses grupos, das instituições e organizações, e direciona para um foco. Mesmo à distância hoje já se permite isso, a nossa social media está em Portugal, por exemplo, então a gente subia o material e avisava para ela por SMS, mandava o release, ela digitava e espalhava para o mundo todo. Ela tinha os contatos de agências de notícias do mundo todo, então tinha matéria rolando na Reuters, na BBC, tinha matéria em todo lugar. Nós tivemos publicação em um jornal impresso do Japão sobre o Fisl (Fórum Internacional de Software Livre), que foi traduzida para o japonês. Enfim, reúna os potenciais para fazer alguma coisa que seja palpável, que seja interessante”.

Como é na prática direcionar um projeto com muitas pessoas e ideias?

“A estrutura é a mesma de uma produção normal, de uma agência de notícias. Você tem que ter um coordenador que organize e gerencie o caos. Qual era a estrutura do Fisl, por exemplo? A gente chegava com a pauta que já estava definida pelo evento. E o que era interessante, como eram todos profissionais da área, já sabiam como funcionava, já tinham experiência de comunicação, e mesmo os que tinham pouca experiência entravam no sistema. […] Apesar de ser uma estrutura alternativa, tem que ter um pouquinho do tradicional para que se organize, porque o tradicional é uma forma reconhecida pelo funcionamento”.

Daniella Koslowski, acadêmica de Jornalismo.

 

 

Experiência, trabalho e realização de sonhos  

 

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Acadêmicos que permaneceram para o debate ao final do evento. Foto: Talita Mazzola

Produzir novas ideias por meio da sintonia entre criatividade e inovação, colocando-as em prática. Em resumo, ser um realizador. É isso que significa empreender. É possível ainda, entender como empreendedor, aquele que inicia algo novo a partir de uma visão diferenciada, alguém que vê algo que ninguém mais vê, que sai da zona de conforto dos sonhos e desejos e parte para ação, tornando real.

Mas como perder o medo e se arriscar no mundo do empreendedorismo? A resposta mais simples é: viva a experiência de mercado e, ao arriscar, aposte no diferencial que você sentiu falta nos locais pelos quais passou. Esse foi o principal conselho dado pela diretora da Agência RDV, de Porto Alegre, e editora do portal Meu Bairro, Letícia Demoly, na noite desta terça-feira, 15 de maio, na palestra que integrou a programação da Semana Acadêmica da Comunicação.

Jornalista por formação, publicitária por opção e empreendedora por vocação, Letícia compartilhou com os acadêmicos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda sua trajetória profissional por meio da apresentação de alguns cases atendidos por sua empresa e que a ensinaram uma nova forma de encarar o mercado. “Se você acredita no seu negócio, pode dar dinheiro. Confie no seu produto, conheça o seu público e o entenda realmente. E, acima de tudo, não se deixe abater quando algum problema aparecer”, aconselha.

Para Letícia, a publicidade é troca, mas não só financeira. É preciso conhecer o que representa a marca e o cliente por meio dos olhos dele. “O início foi bem difícil, mas por ter saído de uma universidade que eu tive professores muito bons eu me sentia bem amparada e apliquei o que aprendi enquanto acadêmica no mercado de trabalho”, afirma e conclui “você vai errar a primeira, mas na segunda tu vai aprender. Aprendam o limite de vocês e minha dica mais importante: aprenda a conviver com os erros do passado. Ele tem um propósito. Eles vão fazer de ti um empreendedor, um empresário melhor, uma pessoa melhor”.

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Letícia contou das experiências desde o íncio da carreira até desbravar a comunicação na capital do Estado. Foto: Lara Cristina Dos Santos

Questionamentos dos alunos

  • O que jornalismo ajudou a virar uma publicitária?

Hoje para mim, o jornalismo é saber fazer esse intermeio entre a publicidade e o cliente. Eu me comunico com ele, eu olho no olho, como se fizesse uma entrevista. Eu quero saber quem eles são, eu não me preocupo só com o produto. Quando eu vou conversar com o Doutor Marcos, por exemplo, ele me conta sobre a Medicina dos Estados Unidos. Eu não estou ali só para saber do produto que ele tem, mas para entender quem ele é, como se eu tivesse fazendo uma matéria, e eu acho que dentro da publicidade é isso que eu faço hoje que é um olhar diferenciado.

  • Quando você notou que estava pronta para empreender?

Eu acho que a gente não empreende quando está pronto, a diferença do empreendedor e de quem abre um negócio, é que ele abre porque precisa, eu abri porque eu precisava, pois eu não estava legal. Não tinha nada a ver com o lugar que eu trabalhava, tinha a ver comigo. Eu precisava trabalhar para mim, eu precisava sair, viver outras coisas. Eu penso em outras coisas que eu posso empreender, mas eu não faço porque eu não preciso. O empreendedorismo para mim não foi “Ah vou empreender”, foi porque eu precisava e a necessidade faz com que você dedique a tua vida àquilo. Para empreender você tem que saber que é um filho, eu não posso tirar férias agora e ficar um tempo fora, ainda não tem estrutura para isso. Mas se você quer empreender, não empreende porque você quer, se você quer vai para o mercado, quer ser jornalista vai para um bom jornal, quer ser publicitário vai para uma boa agência, e se tu precisas ser publicitário ou jornalista daí sim tu empreendes, se não vai para o mercado.

Giuli Ana Izolan, acadêmica de Jornalismo.

Consumo digital: a apropriação da internet como identidade

Na noite desta segunda-feira, tivemos a presença da Dra. em Antropologia Social, Sandra Rubia da Silva, guiando o debate sobre a problematização dos estudos sobre a internet no campo da Comunicação

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Culturas digitais, consumo e diversidade. A tecnologia não é mais uma simples ferramenta, ela revela as experiências e faz parte da vida das pessoas. Manuel Castells cita que “A internet é, acima de tudo, uma criação cultural”. Foi com esse pensamento que a professora Dra. Sandra Rubia da Silva, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFSM, iniciou o debate sobre a problematização dos estudos sobre a internet no campo da Comunicação, na Semana Acadêmica da Comunicação 2018.

Ao relatar suas pesquisas este campo de estudo, Sandra trouxe o questionamento sobre o significado da internet, desde a criação do primeiro site em agosto de 1980 por Tim Berners-Lee, conhecido como World Wide Web (www), até o estudo do comportamento dos indivíduos diante de tanta exposição nas redes. “A internet foi pensada para ser livre para todos, para o conhecimento. É muito mais que uma rede de computadores, são pessoas. Há uma multiplicidade de públicos que acessam a internet, temos pessoas atrás dos computadores, discursos que circulam. As pessoas têm utilizado de uma forma que quem criou, não imaginava”, analisa a professora.

Entre os dados apresentados, Sandra Rubia cita a carta aberta escrita por Berners-Lee e publicada pelo The Guardian, traduzida pela Revista Exame, em que ele revela a preocupação com a falta de regulamentação na internet, o que faz com que o poder fique centralizado nas mãos de grandes empresas de tecnologia, o que é considerado por ele uma arma. Conforme o criador, pessoas das camadas de baixa renda podem ainda não ter acesso a internet até 2042 devido à interferência dessas grandes empresas comerciais, o que interfere não só na democracia, mas também na forma como as pessoas recebem informação.

Em busca de repostas para suas pesquisas, a professora foi à campo e se deparou com a importância dada pelos entrevistados que tinham acesso à rede, aos seus celulares/smartphones. O quanto estes objetos transformavam o meio em que estas pessoas estavam inseridas e como era a relação destas com o mundo virtual. “Para estas comunidades, a internet é o Facebook que é, na verdade, apenas uma rede social. Mesmo com a ascensão da tecnologia, há muitos grupos excluídos, muitas pessoas não têm acesso à internet. A diversidade não alcança todos da mesma forma. O Brasil tem um dos piores índices de conectividade e um dos serviços mais caros do mundo”, explica.

Parafraseando a pesquisadora britânica, Christine Hine, autora do livro Etnografia para internet, a internet está incorporada no tecido social, é um fenômeno de atenção. “A internet é vista como um artefato cultural, pois as pessoas não entram mais na rede, a gente não surfa mais, porque ela está embargada em tudo o que fazemos, nos nossos smartphones”, afirma Sandra. Um projeto de pesquisa global chamado Why we Post (Por que postamos), investiga os usos e consequências das mídias sociais, e traz a público as indagações referentes ao comportamento dos usuários. Para a doutora, os estudos existentes ainda são poucos, mas cada vez mais importantes para entender a identidade nas redes.

Aos acadêmicos e futuros pesquisadores, a professora encoraja o desafio de pesquisar e frisa a importância de voltar aos locais em que a pesquisa foi realizada in loco, e dar o feedback do trabalho concluído aos entrevistados. “Fazer uma pesquisa é muito mais que coletar dados, é se envolver com as pessoas. É importante devolver esses saberes às pessoas que participaram da pesquisa, pois elas nos permitiram um tempo delas para conceder o seu conhecimento e suas histórias”, conclui.

Questionamentos dos alunos:

Discursos de ódio

“É um fenômeno que infelizmente emerge, por um lado por causa dessa polarização das redes sociais e de outro lado, porque aparentemente muitos não conseguem considerar ainda que a internet não é mais no anonimato, como era nos anos 90. E parece, essa é uma hipótese, que não tem medo de virem a ser pegos nos crimes cibernéticos. Mas tem ainda um outro elemento, porque tem aqueles que mesmo sabendo não se importam, e se sentem à vontade para despejar o seu discurso de ódio. Isso deve ser difícil para o pesquisador. E nós precisamos sim, falar do discurso de ódio, falar de preconceito na internet, porque a internet é um ambiente público, por excelência, e altamente disseminador desses discursos”.

Menos pesquisas bibliográficas, mais pesquisas etnográficas/in loco

“Eu defendi o TCC em 99, trabalhei naquele momento mais com uma descrição, uma análise de conteúdo. O meu mestrado eu fiz na Fabico, e trabalhei mais próxima de uma semiologia, pensando em sites da internet como discurso. E aí, realmente no doutorado, eu queria muito fazer etnografia, ir para o trabalho de campo mesmo. Em termos de resultado, o que eu posso dizer: resultados não previstos, eu só posso falar da minha experiência como pesquisadora, e eu acho que, para cada problema de pesquisa a sua abordagem metodológica, o seu desenho de acordo com o problema e os objetivos que são propostos. Mas no caso da etnografia, o que eu observo das pesquisas dos orientandos são resultados que não estavam previstos originalmente. Mudança de curso, às vezes entre os orientandos, uma frustração, um medo, pelo fato dos resultados não serem previstos. Mas por outro lado, é que eu quero resgatar algumas palavras que eu ouvi de professoras em banca, e elas disseram: realmente, há um grande desafio colocado quando vem esses resultados, que são inesperados, por outro lado, pode ser uma pesquisa que não traga mais do mesmo. Quando a gente trabalha com pessoas, com essa longa convivência, com o tempo, nós temos que ter muita paciência, porque as coisas não acontecem automaticamente”.

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Daniella Koslowski, acadêmica de Jornalismo.

Alimente sua criatividade e proponha ideias inovadoras

Semana Acadêmica do Departamento das Ciências Administrativas, Contábeis, Econômicas e da Comunicação – DACEC, da UNIJUÍ, proporciona momento de descontração para falar de criatividade e inovação

 

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Equipes participantes do Workshop sobre Criatividade e Inovação. Foto: Talita Mazzola

Criatividade é uma habilidade, ser criativo é ver de forma diferente aquilo que os outros estão vendo. É pensar em soluções diferentes do que nós já temos. Mas como saber se somos criativos? De que formas aplicarmos a criatividade nas atividades diárias? E o mais importante, como transformar essa criatividade em uma ideia inovadora? Foi com o objetivo de responder a esses questionamentos que os acadêmicos dos cursos do Departamento das Ciências Administrativas, Contábeis, Econômicas e da Comunicação participaram, na última sexta-feira, 11 de maio, do workshop sobre Criatividade e Inovação, com a professora Márcia Almeida.

“Nesse mercado dinâmico nós precisamos nos diferenciar, para empresas e para os profissionais. A criatividade é vital para basicamente todos os profissionais”, enfatiza a professora. Para demonstrar a importância de ser diferente em todas as áreas, Márcia trouxe o caso de uma dentista, que ao notar o medo das crianças de se consultar, decidiu vestir-se de Fada, foi criativa ao detectar um problema. “A criatividade nos ajuda a ver as coisas de uma forma diferente”, afirma Márcia.

Para auxiliar no processo criativo, a professora Márcia Almeida deu algumas dicas sobre como fomentar a criatividade e transformá-la em inovação. “É importante fazer um esboço coletivo, onde cada pessoa envolvida possa contribuir com a ideia. Além disso, faça uma lista de atributos, ou seja, defina o produto, serviço ou estratégia que será desenvolvida. Realizar um Brainwrinting é muito importante para sempre lembrar das ideias posteriormente. Siga ainda o trabalho de pessoas criativas e esteja atento aos trabalhos postados por elas e a trajetória profissional. Em resumo: leia, assista, pesquise, medite, interaja com especialistas e consumidores, exercite e estabeleça espaços para momentos de criatividade. Não tenha medo de parecer bobo, seja um caçador de tendências e sempre proponha algo novo. Observe as tendências e inspirações e consuma muito conhecimento, entenda, defina, idealize e realize o protótipo disso”, aconselha.

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Equipe Gabriel foi a grande ganhadora da noite, com a ideia da criação de uma película para embalagens de produtos tóxicos. Foto: Daniella Koslowski

Após sua explanação, Márcia lançou o desafio de criar uma proposta a partir da temática de “empreendedorismo, inovação, gestão e impacto social”, atendendo ao objetivo 12 da ONU, de produção e consumo responsável. A proposta foi para que os alunos se organizassem em equipes, criassem uma proposta, e apresentassem suas ideias. Foram sete equipes participantes, sendo que a vencedora foi a equipe “Gabriel”, que desenvolveu uma película protetora para embalagens de produtos tóxicos.

Pergunta da Usina

  • Criatividade e Inovação costumam ser utilizadas como sinônimo. Qual a principal diferença entre elas?

Márcia: A inovação vem muito da inventividade e a criatividade tem toda uma metodologia. Ela também é muito importante para os negócios. Em 2010, saiu uma pesquisa no Brasil que a gente estava diminuindo o nosso grau de criatividade, como isso é muito importante para os negócios, pois a criatividade é um momento que você consegue ver algo diferente, que ninguém viu ainda, então, veja só a importância disso para os negócios e um mercado que é totalmente dinâmico e complexo.

  • Como podemos identificar quando uma ideia não é criativa e nem inovadora?

Márcia: Primeiro lugar quando ela é senso comum, quando você vê ela repetidamente com pequenas adequações, mas é um processo. Desenvolver a criatividade é desenvolver uma habilidade, como qualquer músculo, a gente precisa de muito exercício.

  • Quais dicas a senhora daria aos alunos que têm uma ideia, mas não tem certeza se ela é inovadora ou criativa o suficiente para emplacar um negócio?

Márcia: Uma metodologia bem interessante é você pensar no design thinking. Ele não é novo, mas está sendo bastante utilizado, pois é em função da dinâmica de mercado, você desenvolver uma ideia, testar ela e já corrigir, enfim, você vai trabalhando numa ideia da empatia de como é o mercado, o consumidor e depois você vai prototipando, testando e tornando cada vez melhor, até chegar a inovação.

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Palestrante propõem aos presentes a realização de atividade empreendedora para fomentar a criatividade. Foto: Marjorie Barros Bock

O evento é uma realização da Semana Acadêmica do DACEC e, juntamente com o lançamento do Desafio Empreendedor, integra a programação da Semana Acadêmica da Comunicação. Hoje à noite, as atividades terão continuidade, com a palestrante Sandra Rubia da Silva que fala sobre Culturas digitais, consumo e diversidade: problematizando os estudos sobre a internet no campo da comunicação.

 

Giuli Ana Izolan, acadêmica de Jornalismo.

 

Empreender ideias para gerar inovação

Semana Acadêmica do Departamento das Ciências Administrativas, Contábeis, Econômicas e da Comunicação – DACEC, da UNIJUÍ, discute a importância de empreender, gerar soluções simples e construir novas ideias

 

Salão de Atos lotado na primeira noite de Semana Acadêmica Foto Crystian Carniel

Público acompanhou primeira noite da Semana Acadêmica do Dacec, integrando todos os cursos. Foto: Crystian Carniel

 

“Conhecimento é como um jardim, se não for cultivado, não pode ser colhido”. Foi com este provérbio africano que o administrador e gestor do Parque Científico e Tecnológico e da Incubadora Tecnológica da Unisc, Fernando José Stanck, definiu a arte de empreender e inovar. “A era digital vem transformando o modo que adquirimos conhecimento. Hoje tudo está na rede, só não busca aprender quem não quer. Empreendedores revelam que não há estabilidade. A zona de conforto em muitas áreas está com os dias contados. É necessário pensar fora da caixa e se jogar de cara nos desafios e oportunidades que as tecnologias tem possibilitado”, comenta o administrador.

Ser criativo e não ter medo de arriscar, esse é o perfil que as empresas têm escolhido para ocupar um cargo atualmente. Em sua fala, Fernando frisou aos alunos que no futuro 40% das profissões irão desaparecer, e as novas estratégias de sobrevivência e competitividade tem se tornado o gancho para o acadêmico ou empreendedor se destacar, independente da área.

As incubadoras de empresa, como a Criatec da UNIJUÍ, são consideradas grandes centros de inovação e uma excelente forma para o acadêmico começar a prospectar ideias no mundo dos negócios. “Hoje, nos novos formatos organizacionais, as empresas estão diminuindo as funções. Se antes havia vários chefes e sub-chefes, agora a maioria trabalha em conjunto. Por isso digo que é válido aproveitar cada segundo da universidade para se abastecer de conhecimento, porque canudo é responsabilidade. Alunos tem um papel importante nessa construção”, enfatiza o administrador.

A questão que fica é: como inovar? “Onde há problemas. O desafio é aliar o conhecimento que temos na universidade e conhecer pessoas de diferentes áreas que queiram empreender”. A dica é saber quem está comprometido e quem está envolvido na causa, pois são duas ações que fazem a diferença quando o assunto é tirar as ideias do papel e pôr em prática.

Para exemplificar isso, o CEO da empresa Elede e criador da Plataforma Gorila, Lucas Hansel, compartilhou com os acadêmicos sua trajetória empreendedora. Ao falar sobre suas experiências, dentre elas no Vale do Silício, Lucas afirma que os melhores lugares para aprender são em eventos nos quais você precisa pesquisar para gerar conhecimento. Além disso, destacou que o maior erro das empresas é não priorizar a venda, “esse deve ser o principal ponto na hora de empreender”.

Dois fatores são essenciais para o empreendedor, segundo o CEO: inteligência emocional e consistência. “O primeiro porque empreender é estar em uma constante montanha russa, tem que saber dosar, entender que de manhã está tudo certo, mas de noite pode dar tudo errado. E o segundo é prospectar, fazer todos os dias uma coisa nova, criar”, conclui.

Pergunta da Usina

  • Quais são os requisitos básicos para transformar uma ideia em oportunidade de negócio?

Fernando: “Para transformar essa ideia em um negócio tem que validar ela, não pode ser uma ideia, um problema que você resolve para si. O pessoal tem muito disso, de ter uma ideia e não abrir para o grupo. É como uma receita de bolo, se o teu problema é uma ideia, vai em frente, vamos validar, vamos fazer teste de conceito. Ah, não tem dinheiro? Busca estrutura! Tem incubadoras disponíveis para isso, participe de eventos, maratonas e desafios. É legal expressar a tua ideia, porque às vezes é como um filho, é bonito só para mim. Ouvir o mercado é a melhor forma de transformar tua ideia. Às vezes, você precisa preparar o mercado para recebe-la. Um exemplo é o filme Avatar, que teve que esperar 20 anos para ter computação gráfica para então fazer os efeitos e lançar o filme”.

Lucas: “A primeira coisa hoje em dia é: não se apegue a ideia, porque essa ideia pode não resistir ou o mercado não aceitar. Uma das coisas mais comuns é primeiro procurar a solução e depois o problema. E você sempre tem que fazer o inverso. Você precisa encontrar o problema, para isso, faça pesquisas, faça levantamento de dados, informações na internet, enfim há inúmeras possibilidades. Depois de resolver o problema, você faz o MVP que é o Mínimo Produto Viável, ou seja, dessa solução gigante que você pensou, o que é o mínimo possível que o cliente irá usar e ter valor? Aí você desenvolve ele e coloca no mercado. Um livro muito bom chamado “Startup Enxuta”, que surgiu no Vale do Silício, fala muito em “Get out of the building”, que nada mais é do que ‘saia do prédio’, coloque a execução para a rua, valide, fale com clientes, isso ajuda na construção”.

Palestrantes comentam sobre o assunto Foto Giuli Ana Izolan

Fernando responde aos questionamentos dos alunos. Foto: Giuli Ana Izolan

O evento é uma realização da Semana Acadêmica do DACEC e, juntamente com o lançamento do Desafio Empreendedor, integra a programação da Semana Acadêmica da Comunicação. Hoje à noite, as atividades terão continuidade, com o workshop de Criatividade e Inovação, a partir das 19h30, no Salão de Atos.

Daniella Koslowski, acadêmica de Jornalismo.

Empreendedorismo Social é tema da Semana Acadêmica da Comunicação da Unijuí

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Os cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda da Unijuí promovem, a partir de amanhã, 10, sua Semana Acadêmica. O evento acontece em dois momentos: nesta quinta e sexta-feira a programação contempla o lançamento do Desafio Empreendedor, em conjunto com os demais cursos do Departamento de Ciências Administrativas, Contábeis, Econômicas e da Comunicação (Dacec). Para motivar os alunos na proposição de empreendimentos sociais, está programada para a noite desta quinta, 10, palestra com Fernando José Stanck, gestor do Parque Científico e Tecnológico da Incubadora Tecnológica da Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) e a apresentação de um caso de inovação, a Plataforma Gorila, desenvolvida por uma empresa incubada na Criatec. Na sexta, 11, os acadêmicos do Dacec vão participar de um workshop de Criatividade e Inovação, ministrado pela professora Márcia Almeida.

Já na próxima semana, de 14 a 17 de maio, as atividades são específicas dos cursos da área da Comunicação e acontecem no Centro de Eventos. A temática é o empreendedorismo social, em consonância com a proposta do departamento no Desafio Empreendedor. Para isso, na segunda-feira, 14, a palestra é com a professora Sandra Rubia da Silva, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFSM. Ela vai abordar Culturas digitais, consumo e diversidade: problematizando os estudos sobre a internet no campo da comunicação. A partir de terça, as atividades são dedicadas ao estudo e à apresentação de casos. Na terça-feira, 15, a diretora da Agência RDV de Porto Alegre e editora do portal Meu Bairro, Letícia Demoly, fala sobre a importância das parcerias para os resultados nos negócios. Na quarta, 16, será a vez de conhecer A experiência da TV OVO: mídia independente e colaborativa, com um dos fundadores do grupo, Alexsandro Pedrollo de Oliveira. Por fim, na quinta-feira, a Semana Acadêmica abre espaço para o projeto ZH na Faculdade e recebe o jornalista e editor de esportes do grupo, Diego Araújo, que apresenta o caso: GaúchaZH: o produto de uma integração.

 “Na Semana Acadêmica da Comunicação a temática do empreendedorismo social será aprofundada a partir da realização de palestras. A intenção é mostrar como as práticas da área da comunicação perpassam as discussões acadêmicas e também na realidade do profissional no mercado de trabalho”, explica a coordenadora dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda, Rúbia Schwanke.

            As inscrições para a Semana Acadêmica podem ser feitas até esta quinta-feira, no Portal. Mais informações podem ser obtidas pelos telefones 3332 0200, ramais 3118 ou 3110.