TV OVO: reconhecimento e seriedade por meio da mídia colaborativa

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Com objetivo de motivar acadêmicos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda para o desenvolvimento de iniciativas que promovam a cultura e o fazer audiovisual, um dos fundadores da TV OVO, Alexsandro Pedrollo de Oliveira, compartilhou na noite da última quarta-feira, 16 de maio, a experiência de mídia colaborativa que acontece há 22 em Santa Maria. A TV Oficina de Vídeo Oeste (TV OVO), nasceu em maio de 1996 por meio de uma iniciativa de Paulo Tavares que levou às comunidades da região oeste oficinas de vídeo que tinham como objetivo inserir e ensinar aos jovens o fazer audiovisual.

Alexsandro foi um dos alunos do projeto, aos 13 anos, e parceiro no ano seguinte para tornar o projeto uma iniciativa permanente na comunidade. “A ideia era bem simples, fazer com que os jovens produzissem material audiovisual”, comenta. O caminho, no entanto, foi longo e dependeu de muitas parcerias estabelecidas ao longo desses 22 anos de história, às quais permanecem até hoje dando suporte à proposta. Ao longo dessa trajetória, muitos trabalhos foram realizados e projetos colocados em prática, o que só foi possível por meio de uma intensa doação por parte dos voluntários e parceiros. “Toda base da TV OVO é baseada no trabalho voluntário. Você não vai trabalhar voluntariamente com aquilo para o resto da vida, ou vai, se essa for sua opção de vida como é a nossa lá. Mas você também tem que se comprometer. É parte do comprometimento se doar. É como uma criança, dar os primeiros passos e construir uma trajetória sólida”, explica.

Hoje a TV OVO se encontra em um espaço de sede própria, cedido pelo jornalista Marcelo Canellas, e conta com cerca de 16 voluntários envolvidos no fazer diário das atividades e projetos da TV, além dos gestores que, segundo Alexsandro, participam das decisões e das produções em seu tempo livre. O projeto tornou-se reconhecido não apenas em Santa Maria, mas também no cenário nacional e internacional, sendo uma referência na produção de conteúdo audiovisual sério e de qualidade. Além disso, a TV OVO conta com dois projetos recentes em andamento: o Cronicaria e Rock do K7. O primeiro é uma parceria entre os jornalistas Marcelo Canellas e Manuela Fantinel, que tem como objetivo divulgar crônicas sobre a cidade de Santa Maria, além de ser uma confraria literária. É o olhar santa-mariense sobre o mundo para além dos morros que os cercam. Já o segundo projeto é uma narrativa musical que conta sobre lendas, amores, desamores e o cenário do Rock in Roll de Santa Maria nos anos 70, 80 e 90.

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Questionamento dos alunos

De que forma é possível pensar em uma produção de conteúdo de qualidade por meio da comunicação colaborativa?

“Você tem que trabalhar com o potencial de cada colaborador da comunicação colaborativa. Por exemplo, se você tem um parceiro que trabalha com fotografia, tem alguém que é muito bom com texto, tem uma equipe que é boa com edição, audiovisual ou mídias sociais, é isso. Tu pega o potencial das pessoas, desses grupos, das instituições e organizações, e direciona para um foco. Mesmo à distância hoje já se permite isso, a nossa social media está em Portugal, por exemplo, então a gente subia o material e avisava para ela por SMS, mandava o release, ela digitava e espalhava para o mundo todo. Ela tinha os contatos de agências de notícias do mundo todo, então tinha matéria rolando na Reuters, na BBC, tinha matéria em todo lugar. Nós tivemos publicação em um jornal impresso do Japão sobre o Fisl (Fórum Internacional de Software Livre), que foi traduzida para o japonês. Enfim, reúna os potenciais para fazer alguma coisa que seja palpável, que seja interessante”.

Como é na prática direcionar um projeto com muitas pessoas e ideias?

“A estrutura é a mesma de uma produção normal, de uma agência de notícias. Você tem que ter um coordenador que organize e gerencie o caos. Qual era a estrutura do Fisl, por exemplo? A gente chegava com a pauta que já estava definida pelo evento. E o que era interessante, como eram todos profissionais da área, já sabiam como funcionava, já tinham experiência de comunicação, e mesmo os que tinham pouca experiência entravam no sistema. […] Apesar de ser uma estrutura alternativa, tem que ter um pouquinho do tradicional para que se organize, porque o tradicional é uma forma reconhecida pelo funcionamento”.

Daniella Koslowski, acadêmica de Jornalismo.

 

 

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