A era do “RE” na sala de cinema

Várias histórias estão sendo (re)contadas nas telas de cinema, são o que se chama reboot, remake, prequien e afins. O público pode se indagar se estamos passando por um hiato criativo ou uma reinvenção ou renovação da linguagem. Apesar de muitas das histórias contadas nas telas do cinema se tornaram atemporais, é interessante questionar o que acontece quando a linguagem audiovisual acaba sendo ultrapassada pela tecnologia e como isso pode acabar atrapalhando o processo de imersão da experiência cinematográfica.

Para melhor compreensão, primeiro é melhor saber do que se trata cada um destes termos:

O Reboot é quando uma franquia de cinema é reiniciada, ou seja, a história é recontada do princípio, geralmente de forma um pouco diferente do original, ou só se adequando às novas tecnologias. Como exemplo temos os filmes do Homem-Aranha, que teve uma trilogia dirigida por Sam Raimi e protagonizada por Tobey Maguire de 2002 até 2007, foi reiniciada com O Espetacular Homem-Aranha (2012) dirigido por Marc Webb e estrelada por Andrew Garfield e agora tem um novo começo com Homem-Aranha: De Volta ao Lar, dessa vez com Tom Holland no papel principal e dirigido por Jon Watts. Apesar de recente, a franquia foi reiniciada e remodelada, atualizando o personagem e dando a ele um ar mais contemporâneo.

01 Homens Aranha

A série Star Trek, que possuía 10 filmes entre Série Clássica (anos 60) e Nova Geração (anos 80), foi “rebootada” em 2009 pelo diretor J.J. Abrams e, apesar dos protestos dos fãs, parece ter sido um belo recomeço para a reconhecida série que já está no seu terceiro filme. Outro reboot muito conhecido é a Trilogia Batman, Begins, Dark Knight e Dark Knight Rises (2005 a 2012) dirigidos por Christopher Nolan (Inception), que finalmente levou aos cinemas a profundidade de um dos mais emblemáticos personagens dos quadrinhos, coisa que Tim Burton não conseguiu realizar nos filmes da década de 90. Batman também ganhou uma nova versão em 2016, juntamente com Super-Homem, em Batman vs Superman: A Origem da Justiça, dirigido por Zack Snyder (300 e Watchmen), que também foi responsável pelo reboot de Superman, produzido por Christopher Nolan.

02 Star Trek

O Remake é uma “refilmagem” de uma obra. A mesma história é contada, de forma diferente. A principal diferença em relação ao reboot é que o remake não é característico de histórias seriadas. Nessa linha tivemos o remake de Total Recall (O Vingador do Futuro – 1990) de Paul Verhoeven (Tropas Estelares), em que, apesar de algumas diferenças na história, a essência é a mesma. Ambos tratam do futuro, cada um com uma linguagem bem característica da sua data de produção, lembrando que o conto original é da década de 60. O original contava com Arnold Schwarzenegger no papel principal, enquanto a nova versão quem vive a personagem “Douglas Quaid/Hauser” é Colin Farrell. Também tivemos o remake de RoboCop, clássico dos anos 80 também dirigido por Paul Verhoeven, que na sua nova versão foi dirigido pelo brasileiro José Padilha (Tropa de Elite).

03 Total Recall

Prequela é quando se resolve contar a “história de antes da história”, ou seja, os acontecimentos que antecedem ou desencadearam os eventos de filme como os três primeiros episódios de Star Wars, que são uma prequela à trilogia clássica, e segundo a crítica ficam longe da profundidade dos filmes antigos (93% de aprovação dos filmes antigos contra 55% dos novos, segundo o site especializado em crítica (rottentomatoes.com). Falando em Star Wars, é interessante citar Rogue One, um spin-of (projeto derivado de uma franquia) que também acaba por servir de prequela aos filmes antigos, mas acaba se posicionando entre os episódios III e IV na linha do tempo da franquia e que tem uma crítica um pouco melhor (85% de aprovação).

rogue_one

Também cabe citar Prometheus (2012), prequela de Alien (1979), ambos dirigidos por Ridley Scott e que criou uma grande expectativa, mas acabou não agradando crítica e público. Houveram ainda prequela de sucesso, como X-Men First Class (2011), dirigido por Matthew Vaughn, que cria um ponto inicial para a franquia. Com um roteiro que agradou crítica e público, o filme conta com uma bela ambientação histórica e produção. O filme conta com Matthew Vaughn na direção, que também atuou como diretor em Stardust (2007) e Kick-Ass (2010).

h-men-parva-valna-dvd_0

Ainda temos previstos nos próximos anos uma prequela para Blade Runner (1982), de Ridley Scott, assim como Alien e Prometheus, um triller sci-fi dos anos 80.

Apesar de existirem muitas novas histórias a serem contadas nas telas de cinema, é muito interessante pensar em como adequar velhas histórias a uma linguagem contemporânea, afinal de contas, nada como fazer um agrado a velhos fãs ávidos por material novo e ao mesmo tempo trazer a uma nova geração produções adequadas à linguagem do mundo em que foram criadas e assim acabar mostrando o porquê destas histórias possuírem milhares de fãs.

P.S: Este fã aqui por exemplo, gostaria muito de ver “Duna” (1984)” e “Inimigo Meu” (1985) em versões atualizadas.

Leonardo Mello, acadêmico de Publicidade e Propaganda – Agência de Notícias

barra blog

Anúncios