Gênesis – tributo ao planeta Terra

Ao ler no site da Zero Hora que Sebastião Salgado estava a caminho de Porto Alegre, com a exposição Gênesis, e mais, que estaria na UFGRS palestrando sobre fotografia, não pensei duas vezes. Decidi: eu preciso ir para a capital.

Não consegui assistir à palestra do Sebastião, mas não deixei de visitar a Usina do Gasômetro para contemplar suas fotografias. Cheguei em Porto Alegre no dia 05 de abril, mal consegui descansar. A jet lag não era nada quando comparada à vontade de prestigiar o trabalho do grande fotógrafo.

Ao chegar na Usina, muito movimento. Apesar dos já passados 23 dias de exposição, muitos visitantes circulavam pelo grande salão. Com curadoria de Lélia Salgado, companheira do fotógrafo há 50 anos, a mostra contagiou os presentes.

Como era de se esperar, Lélia escreveu um belíssimo texto sobre o trabalho do fotógrafo, emocionando os visitantes logo na entrada. Segundo ela, “Gênesis é uma jornada em busca do planeta como existiu, desde sua formação e em sua evolução, antes que a vida moderna se acelerasse e nos afastasse do núcleo essencial”. A curadora explica ainda que as maravilhas fotografadas foram encontradas nos círculos polares e em florestas tropicais, em extensas savanas e nos tórridos desertos, em montanhas geladas e ilhas desertas – lugares às vezes excessivamente gélidos ou escaldantes, onde apenas as mais resistentes formas de vida perseveram. E conclui dizendo: “É essa beleza oculta, defendida, protegida que Gênesis deseja compartilhar. Fazemos um tributo a esse nosso frágil planeta que temos o dever de proteger”.

A primeira série de fotografias faz referência aos santuários desse planeta. Pinguins, baleias, leões marinhos e muitas criaturas que sobrevivem em ambientes gélidos conferiram às fotografias uma beleza sem igual. Neve, geleiras, icebergs. Um cenário incrível que poucos terão a chance de conhecer, a não ser em oportunidades como esta.

Santuários – o sul do planeta

Santuários – o sul do planeta

As imagens que se seguiram trouxeram a imponente magnitude da natureza na África, na Ásia, Oceania e América. Os grandes safáris, com exemplares de elefantes, onças, girafas e deserto árido conquistaram os presentes.

Elefantes em Zâmbia, no Parque Nacional do Kafue

Elefantes em Zâmbia, no Parque Nacional do Kafue

Paisagens exuberantes também marcaram a exposição. Montanhas e vales, desertos e mares. Tudo delicadamente fotografado por Sebastião.

Parque Nacional de Bryce Canyon durante uma nevasca. Utah, EUA

Parque Nacional de Bryce Canyon durante uma nevasca. Utah, EUA

Segundo a equipe de apoio, foram trazidas para a Usina do Gasômetro 245 fotografias. Outras 40 foram ampliadas e levadas para a UFRGS. O acervo de Gênesis contém, além destes exemplares, mais 50 quadros que não foram expostos.

Ao fim da exposição, Sebastião e Lélia deixam uma mensagem para os visitantes, que não posso deixar de compartilhar:

“Além de trazer aos olhos do público a beleza de povos isolados e paisagens grandiosas, Gênesis representa uma convocação para uma luta. O fato é que não podemos continuar poluindo nosso solo, nossa água e o ar. Precisamos agir de imediato para preservar terras e águas ainda intocadas, e para proteger o ambiente-santuário de animais e povos ancestrais. E devemos ir além. Devemos tentar reverter os danos.”

E para quem pensa que o trabalho do fotógrafo terminou aqui, está muito enganado. Nos últimos 15 anos o Instituto Terra, fundado pelo casal, já plantou cerca de dois milhões de árvores, de mais de 300 espécies, na região sudeste do Brasil. Como resultado, encostas esgotadas e áridas ganharam vegetação exuberante. E o renascimento destes microclimas tropicais atraiu, por sua vez, pássaros e animais que não eram vistos naquela área há décadas.

Recomendo a todos uma visita ao Gasômetro. Gênesis continuará lá até o dia 12 de maio, com entrada franca. Quem puder prestigiar, também pode ver um documentário sobre a vida do fotógrafo, que em função do horário não tive a oportunidade de assistir. Lição, emoção, aprendizado, vivência e experiência é o que fica desta jornada.

Para provar que fui!

Para provar que fui!

Texto: Mariana W. Rick

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