Por onde anda Rafaela Heming?

553054_363064927145117_1838705014_nDe Panambi para o mundo. Cerca de 1 ano já se passou desde que a aluna do curso de Publicidade e Propaganda da Unijuí Rafaela Heming foi estudar na Europa pelo Programa Ciências Sem Fronteiras. Como será que ela está? Será que a Rafa já tem planos de voltar para casa? A Usina de Ideias conversou por email com ela. A estudante falou das grandes lições que está obtendo com a viagem, dos momentos difíceis e inesquecíveis deste intercâmbio. Ficou curioso? Então, confira:

1) Há cerca de 1 ano você deixou a sua cidade para se engajar nos estudos fora do país pelo programa Ciências sem Fronteiras. Qual a maior lição dessa experiência?

A primeira lição veio junto com a resposta de que eu tinha recebido a bolsa do CSF. E ela é de que nada é impossível quando se tem esforço e sinceridade. Sem a bolsa eu nunca poderia estudar aqui na Europa. É realmente o estudo e estar atento a cada oportunidade que apareça ou que esteja escondida.  Estando aqui eu aprendi muito com o “se virar sozinha”. Não tenho pai nem mãe para me socorrerem em nenhum momento, e no começo também não tinha amigos. Eu vim literalmente do interior do RS até aqui sozinha. Isso é uma lição para a vida, para o lidar com cada detalhe da vida de forma mais autônoma e consciente.

2) Quais as principais dificuldades enfrentadas? Em algum momento você pensou em desistir?

A Alemanha é um país ótimo. Viver aqui é realmente muito bom e fácil (há transporte público muito bem organizado, moradia e refeições com preços estudantis…). Nunca pensei em desistir, até mesmo quando surgiu o momento mais difícil que passei até agora aqui, quando me foi diagnosticado um nódulo no pescoço que deveria ser retirado através de cirurgia, para fazer-se biópsia. Isto foi quatro meses depois da minha chegada, longe do término dos estudos. Eu não tinha possibilidades de voltar ao Brasil e muito menos meus pais de virem me auxiliar aqui. Encarei toda a situação praticamente sozinha. Tive no entanto um tratamento médico de excelência pago pelo meu seguro-saúde e pessoas que de alguma forma ou outra me ajudaram no período. Graças a Deus o resultado da biópsia foi negativo. A cirurgia foi tão bem feita que praticamente não tenho cicatriz. O que é quase uma pena, já que cicatrizes são marcas de grandes superações na nossa vida.

3) Você já tem a data da volta do seu intercâmbio marcada?

Depois de três semestres de intercâmbio na Universidade de Leipzig, voltarei no início de 2014, com o planejamento do meu TCC encaminhado e pronto para ser realizado até a metade do mesmo ano, quando me formo pela UNIJUI.

4) Quais as principais diferenças entre o estudo aqui na Unijuí e a instituição que você está estudando atualmente?

O estudo acadêmico na Alemanha é prioritariamente teórico. Existem dois tipos de aula, os Seminários (Seminare) e as “Conferências” (Vorlesungen). As aulas são curtas quando comparadas ao Brasil, na maior parte dos casos são de uma hora e meia, mas exigem muita, muita leitura. Para cada aula tem que se gastar em média três horas (ou mais) lendo textos. E os estudantes são aqui muito aplicados! Na minha universidade, a biblioteca do campus principal, que abrange umas cinco áreas acadêmicas, tem quatro andares e 500 carteiras e está sempre lotada. Em época de provas, se não se chega na biblioteca antes das nove da manhã, não se consegue lugar.

No entanto, eu sinto falta do relacionamento que no Brasil o aluno desenvolve com o professor. Aqui há uma grande barreira entre as duas partes, o professor é muito focado em trabalhos de pesquisa que envolvem mestrandos, doutorandos e outros professores, e por isso não têm tempo para os alunos. Assim, qualquer dúvida, encontre um lugar na biblioteca e recorra a algum dos 270.000 exemplares disponíveis (como na Campus-Bibliothek). As aulas também carecem, na minha opinião, de exemplos práticos do dia-a-dia, o que temos muito no Brasil e na Unijuí.

5) Além de seus objetos pessoais, o que você também trás na sua bagagem?

Trago um sentimento imenso de dever cumprido (embora um dos primeiros de muitos que virão pela frente), a vontade de muito mais e um conhecimento que não se compara a dinheiro algum.

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