Ela derrubou Pinochet…

1308189_objects_of_propagandaMocinha ou vilã?

Dependendo do ponto de vista, a publicidade pode suscitar muitas opiniões. É fato que o jogo e os instrumentos utilizados em campanhas sensibilizam os receptores. Os slogans ficam gravados na cultura popular e marcam presença na linguagem cotidiana. Quantas histórias pode-se elencar das propagandas. Jingles que não desgrudam da nossa cabeça. Sorrisos arrancados à força com o bom humor. Slogans aderidos para nosso vocabulário pessoal, entre tantas histórias construídas e eternizadas no nossa imaginário. Propaganda é igual criança, enche uma casa! Não é segredo pra ninguém que a intenção é lapidar as marcas, vendendo produtos e se ambientalizando na cultura do receptor. Mas, quem pode negar, quantas gargalhadas já deu olhando, lendo ou ouvindo um bom comercial?

O poder da propaganda é substancial. E da publicidade ainda mais. E não é de agora que se acredita nesse potencial da área. Um potencial que pode ser utilizado tanto para vender, quanto para mudar a história. Já pensou? Pois é, foi isso que aconteceu na derrubada do regime de Augusto Pinochet, no Chile, na década de 1988. Diante da pressão internacional ele convoca um referendo sobre o seu mandato. A população tem a oportunidade de manifestar a sua opinião. A oposição convence o jovem publicitário René Saavedra a liderar a campanha. Uma campanha que se revelou um verdadeiro desafio para Saavedra, que teve que lidar com a falta de recursos e a permanente vigilância dos guardas de Pinochet.

O publicitário criou jingles mais “discretos”, deixando mensagens subliminares de slogans políticos clássicos e a cobrança pelos mortos e desaparecidos. A campanha conquistou os indecisos e Pinochet que não acreditava na derrota se viu aos trancos e barrancos. No final, a campanha do “não” venceu e derrubou a ditadura que durou no total 17 anos.

Esse caso foi um marco inédito. Hoje, reconhecemos que qualquer campanha política que se preze utiliza dos instrumentos do marketing, não é mesmo? Mas, na época, em pleno auge da Guerra Fria, não se cogitava a ideia de enfrentar uma ditadura militar com uma série de spots publicitários que utilizavam do humor e de sentimentos de esperança para convencer a população a tirar Pinochet do poder. É claro que outros fatores influenciaram esse desfecho, mas que a publicidade fez a diferença, isso fez mesmo!

Toda esta história ocorreu de fato na década de 80. Muitos de nós acompanharam, outros não. Daí entra o fascínio do cinema para resgatar e contar para nós todo este drama, uma verdadeira façanha midiática que tem muito a nos ensinar e a nos inspirar. Com vocês, “No”, do diretor Pablo Larraín, exibido desde o ano passado nos cinemas.

O filme é a oportunidade de você refletir sobre a importância das campanhas publicitárias em uma sociedade e o poder que você, comunicador, especialmente publicitário, tem em suas mãos. Acredite nessa ideia, ela tem 1001 utilidades

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s