A sentença do jornalismo

“O exercício da profissão de jornalista é livre, em todo o território nacional, aos que satisfizerem as condições estabelecidas neste Decreto-Lei”, Art. 1º da Lei Nº 972/69, criada em 17 de outubro, dispõe sobre o exercício da profissão de jornalista.

Cerca de 43 anos depois da consolidação dessa Lei, o cenário de liberdade regulamentada está nas mãos de duas esferas: a justiça e o crime organizado. É uma realidade paradoxal, mas muito presente na vida dos jornalistas. Ora o jornalista é punido criminalmente por uma investigação apurada que fez, ora   é ameaçado por bandidos e acaba tendo que se exilar em outro país. Sem falar nos casos em que a história termina nos termos: assassinato ou desaparecimento.

Um grau elevado de profissionais da informação está aparecendo nas páginas da imprensa. Em vez de contar histórias, os jornalistas estão se tornando personagens das mesmas. É o caso recente do jornalista Anderson Leandro da Silva, de 38 anos, que desapareceu no Paraná; do jornalista André Caramante que após divulgar uma matéria de quatro parágrafos na Folha de São Paulo: “Ex-chefe da Rota vira político e prega a violência no Facebook” saiu do país após constantes ameaças virtuais e reais.

Por outro lado, têm-se os casos dos jornalistas que foram condenados por simplesmente fazerem seu trabalho. Em maio desse ano, três jornalistas suecos foram condenados por uma reportagem sobre compra de armas. A pena foi prisão condicional, e multas de 30.000 coroas (3.300 euros) para o diretor de redação, 13.500 coroas para o chefe de reportagem e 14.400 coroas para o repórter. O crime: denunciar a facilidade de conseguir ilegalmente armas na Suécia.

A partir desse cenário de cerceamento do trabalho de divulgação e apuração de informações onde fica a liberdade de imprensa: Na mão dos juízes? Na mão dos bandidos?

Pesquisa realizada recentemente pela Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) ouviu cem diretores de jornais da América Latina revelou que 39% dos diretores brasileiros afirmaram que pelo menos um jornalista da sua publicação sofreu ameaça, ataque ou foi morto nos últimos cinco anos. Entre os diretores de jornais brasileiros, 67% apontaram como responsáveis pela violência políticos, partidos ou governos.

De acordo com informações divulgadas no site do Jornal Nacional, no Brasil ainda existem casos de violência contra jornalistas, mas não é o que mais atrapalha a liberdade de imprensa. Segundo o levantamento, a maior ameaça vem das decisões da Justiça. 41% dos entrevistados no país acham que o Judiciário é quem mais tolhe o trabalho de informar.

Os resultados da pesquisa foram apresentados durante a 68º Assembleia Geral- Sociedade Interamericana de Imprensa(SIP) realizada em São Paulo entre os dias 12 e 16 de outubro de 2012

E tem muita água para rolar nessa história ainda. Mas o que mais importa é o que está correndo sérios riscos de vida: o direito dos cidadãos de receberem todas as informações do que acontece em sua sociedade, já que, como dizia o escritor e famoso pacificista Liev Tolstói “Não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a verdade. A liberdade não é um fim, mas uma conseqüência” e isso serve direitinho para a arte de informar, não é mesmo? Por isso, atenção “Raposas”: a informação precisa de urgente proteção!

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