Onde o fato encontra a palavra III

E na série de publicações dos textos produzidos na Oficina de Leitura e Produção de Texto, no primeiro semestre de 2012,  chegou a hora de você conferir a produção do aluno Valdecir Almeida Marques. Diverta-se:

O ferreiro e o computador

Tenho um amigo que não lida muito com a tal de Internet. Nem sabe direito como funciona o computador e pra que serve. “Os avanços das tecnologias chegaram bem cedo aqui e bem rápido, disse ele algum dia pra mim”, de olho bem arregalado em fronte a tela do computador. “Parece coisa de outro mundo”, respondeu-me. Para o meu amigo, a gurizada de hoje em dia (jovens adolescentes), vivem enfurnados nos quartos, e passam o dia todo teclando e clicando.

Ele foi criado à moda antiga. Trabalha até hoje com ferraduras, objeto feito de ferro, com moldura de meia lua, onde depois de fabricado é colocado nas patas de cavalos. Certo dia ele quis conhecer um pouco mais do tal de computador. Sempre quando pode tenta se inteirar de como funcionam os aplicativos de um computador. Ele é o quinto filho de uma turma de 10 de uma família tradicional do interior de Ijuí. Família trabalhadora e bem respeitada.

Sempre trabalhou no meio rural, porque a casa de seu pai e onde viveu a maior parte dos anos é afastada da zona urbana. Mesmo com pouco estudo e pouco conhecimento, porque no tempo antigo, para ir à escola existia muita dificuldade e os pais necessitavam dos afazeres dos filhos na lavoura e na destreza de alinhar as patas do cavalo para que a ferradura fosse instalada.

Dele era possível perceber que despertava muito interesse em saber como e pra quê servia o computador. Às vezes ficava retraído. E até desconfiado. Observava com atenção, sem piscar os olhos por muito tempo, a tamanha agilidade e eficiência que tinha o aparelho. Tão logo que conheceu o computador, parecia uma criança quando ganhava um brinquedo ou um “pirulito”.

Demonstrou tanta felicidade. Queria saber de tudo. Não acreditava que poderia ficar informado e saber de notícias da capital ou da sua cidade, sem precisar ter de ler jornal ou ouvir rádio. Até de ouvir música pelo computador, ele ficou surpreso. De ir para o norte do país, apenas clicando em mapas. Ou, que poderia viajar pelos quatro cantos do país em questão de minutos.

“É inacreditável”, disse o meu amigo. E essa descoberta fez com que o meu amigo despertasse o interesse de aprofundar ainda mais seus conhecimentos e saber mais os benefícios que uma máquina como o computador pode oferecer.

Certo dia caminhando pela rua, vi de longe aquele homem franzino e de vestes bem humildes, a passos largos e com direção certa. Era ele, o meu amigo. Ele não me viu, pois estávamos há quase uns 50 metros de distância um do outro. Por alguns instantes, fiquei a observá-lo. Até por curiosidade de saber para onde ele iria. Percebi também que a sua aparência era de extrema felicidade. Felicidade essa que radiava a cada passo que dava. Aí pude perceber que carregava uma pasta consigo e porque de tanta pressa. Eu nem poderia imaginar. Mas pude perceber do que se tratava. Momentos mais tarde depois dele passar por um portão, descobri que frequentava aulas de informática em uma escola especializada.

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