Questione, jornalista! parte II

Você já conferiu aqui algumas produções do componente curricular “Redação Jornalística II” do professor Marcio Granez. Para dar continuidade, dá só uma olhada nos textos opinativos do João Pedro e da Fernanda…

Seja Punk, mas não seja burro

por João Pedro Pacheco Van Der Sand

Ricardo Dobler é um músico ijuiense, responde pelas guitarras da banda Iron Maiden Cover, provavelmente o grupo ijuiense que mais faz shows fora da cidade. Ricardo Dobler postou uma mensagem em seu mural no facebook dizendo “Alguém mais aí não gosta de Indie” referindo-se ao gênero musical surgido nos anos 2000, cujos maiores expoentes são provavelmente The Strokes e Franz Ferdinand. Um questionamento sobre gênero musical, sobre gosto musical. No presente momento a postagem de Dobler tem 399 respostas. Criou-se uma acalorada discussão. Não somente sobre gênero musical, mas sobre a situação em que se encontram os adeptos do rock em Ijuí neste momento da história.

O Rockijuí.com é uma organização independente que desde 2007 vem promovendo eventos de rock em Ijuí. O gênero não passa por uma situação interessante há muito tempo, porém é forte em muitos lugares, e aqui não é diferente: O rockijuí vem cumprindo um papel importante na sociedade, está suprindo a falta de alternativas culturais para os adeptos deste gênero. É digno. Acho digno.

Na discussão iniciada por Ricardo Dobler começaram a surgir críticas aos eventos realizados pelo Rockijuí.com, reclamando da música, reclamando da falta de ‘espirito do rock’. Por favor. Há alguns anos, estes mesmos que reclamam hoje estavam tocando violão madrugada adentro na rua 21 de Abril, sendo revistados pela polícia e se revoltando contra a falta de espaço. A 21 de Abril era o atestado de que não havia espaços. E agora há espaço. Obrigado por iniciar a discussão, Ricardo. Se estes são os roqueiros, expresso aqui minha decepção com o rock, minha aversão a este tipo de opinião.

O rock é frequentemente relacionado aos movimentos de revolta social, digno. Muitas vezes relacionado também com a balbúrdia, válido também em alguns casos. Mas custo a me convencer que se limita a isso. Tenho um amigo que foi punk nos anos 80. Ele me repassou uma máxima, que agora se faz mais válida do que nunca. Seja punk, mas não seja burro. 

“Bagagem cultural”

por Fernanda Mellitz

Ijuí é conhecido por reunir variados grupos étnicos, sendo visto a partir daí como “Terra das Culturas Diversificadas”, podendo ser citado assim mais de 12 etnias que compõem a base da sua cultura.

Na Expo-Ijuí, feira de amplo destaque na região e no estado, que acontece em programação do mês de outubro (mês de aniversário do município) é possível conhecer o comércio da região e do estado. Juntamente com a Expo-Ijuí é realizada a Fenadi – Festa Nacional das Culturas Diversificadas onde pode-se visitar e provar pratos típicos destas etnias, assim como apreciar danças e apresentações das mesmas.

Conhecer um pouco da cultura… E quando falo pouco, me refiro ao pleno uso da palavra. A feira dura em média duas semanas. Ao período que antecede a feira e também após ela, pergunto onde se encontra os integrantes dos grupos étnicos que mostram sua tão fervorosa paixão pela cultura herdada de seus avós e familiares?

Ijui carrega e orgulha-se de ser denominada terra das diversidades culturais, porém não há o investimento em espaços culturais que vai além das casas étnicas que se encontram no parque de exposições. Se denomina como terra que preserva as culturas por mostrar em duas semanas pratos típicos e danças que dizem cultivar com fidelidade a cultura originaria do país defendido, mas que na verdade vemos grupos alemães apresentando musicas italianas e assim prossegue.

Seria cabível que a terra das diversidades culturais investisse em pesquisa, que mantivesse seus professores de dança, assim como seus colaboradores com uma boa carga de cultura que fosse realmente fiel as suas origens! Organizasse não só as duas semanas de expo, mas sim programações que envolvesse as etnias, assim como cursos ou até mesmo oficinas que debatessem questões culturais de cada povo? Pois afinal, o que é destacado em cada campanha eleitoral, assim como nas assembléias publicas é que o real conhecimento se conquista através de investimentos na educação e na preservação e pesquisa em cultura, porém o município sustenta a sua imagem através de uma falsa de preservação e carga cultural. O que forma uma cultura não é a imagem, mas sim as ações que são desenvolvidas e que trazem o real orgulho e reconhecimento cultural.

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Uma resposta em “Questione, jornalista! parte II

  1. Muito bom o texto JP concordo plenamente com tudo que você disse!

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