A Bela Adormecida da Comunicação

Abril de 2007, subindo para a aula de Semiótica na sala 304, algo chama minha atenção no mural (verde e feio) uma oportunidade de bolsa de pesquisa e iniciação cientifica com o Professor Paulinho, fixei meus olhos para ver como poderia fazer para me inscrever, notei que a entrevista seria na próxima semana. Na seleção só eu compareci – confesso fiquei bem feliz, nunca tinha trabalhado, seleção então não sabia nem o que era. Mas o professor disse:

– Não farei a seleção hoje vou dar mais uma semana.

Serio, banho de água fria, pensei f… Na outra semana eu lá de novo: Nova versão, agora com concorrentes!

Por fim ocorreu tudo bem e fui selecionada. Ahhh meu primeiro emprego. Nessa época ainda estava meio confusa, sem grades expectativas, não sabendo o que eu queria, mas resolvi continuar. Aprendi muito durante um ano no projeto, não só sobre imagens protótipos, historia da arte, apropriação, pesquisa, mas também sobre convivência, educação, responsabilidade, diplomacia. Hoje poderia, inclusive, estabelecer um paralelo antes e depois do projeto. Oportunidade única de crescimento e aprendizagem.

Em março do próximo ano, o projeto já havia sido concluído, e eu precisava correr atrás de algo. Logo abriu edital para o laboratório de fotografia da Unijui, DUAS vagas…DOIS concorrentes…PASSEI!!!

Começando no dia 17 de março, durante dois anos aquele lugar frio, úmido e escuro foi meu ponto nas tardes da semana. Assim como no projeto, no Laboratório também tive a coordenação do Professor Paulinho. Nesse período já não tinha mais dúvidas de que tinha feito a escolha certa ao não desistir do curso.

Lá nas tardes de 2008 a 2010 nasceu uma linda e verdadeira historia de amor, que marcou para sempre a vida da menina. Cristina e a NIKON. Um amor separado pelo poder aquisitivo. Meus sinceros votos de que elas voltem a pertencer uma a outra.

Além disso, Laboratório de Fotografia e Usina de Idéias protagonizaram neste período o nascimento de uma família, unida por laços de tédio e, principalmente, gustativo. A fome os uniu e o rompimento do contrato com a Unijui os separou. Nada que um tererê não resolva. Sou emotiva: SAUDADES, Jana, Talita, Júlia, Jean, Ander e Leo.

Em 2008 mesmo, no dia 1 de setembro comecei a estagiar no INSS. Passei a fazer os dois estágios conjuntamente. Loucura total, correria, comer mal, dormir mal, estudos comprometidos, mas em compensação os numerozinhos no saldo do Santander sorriam pra mim a todo o instante, isso se chama – MOTIVAÇÃO ahushaus.

Foi mais ou menos nesse período que passei a ser conhecida por dormir nas aulas, peço desculpas, mas meu organismo pirou, eu não tinha tempo para nada, almoçava no estágio, saía de casa as sete da manha e voltava lá pelas dez, onze da noite. A térmica de café no INSS e as tardes com as três cadeiras estofadas da Usina embaixo do ventilador eram o meu alento. Preciso confessar que foi um dos melhores períodos da minha vida acadêmica, não só pelo saldo bancário, mas pela companhia e pela realização pessoal. Sentia-me extremamente feliz com tudo aquilo.

Em março deste ano sai do Laboratório e fiquei só no INSS onde permaneci até agosto. O INSS foi um lugar de múltiplas aprendizagens, tirar xeroz, fazer cafezinho, comer alimentos requentados. Brincadeiras a parte, a experiência de trabalhar em um órgão público nós traz uma visão diferenciada em relação ao cumprimento das leis. Auditorias, processos, ofícios, memorandos, SIPPS, SCDP… exigem responsabilidade e atenção. O término desse estágio me deixou bastante triste, pelo trabalho e pelas pessoas que convivia. Dia 31 encerrou meu contrato e dia 01 de setembro voltei a ser bolsista na Unijuí agora no Projeto Gestão Social e Cidadania do Professor Sergio. Nele reencontrei uma paixão, o rádio, faço um programa semanal referente a políticas públicas, gestão e cidadania. Atuar na área é muito gratificante, colocar em prática o que se aprende na sala de aula, nos corredores, no contato com a vida acadêmica é algo único e que nos transforma, faz nos apaixonarmos e termos a certeza de nossas escolhas. Claro, sem utopias aqui, a parte financeira conta muito, mas ganhar a nossa grana fazendo algo que gostamos é valioso.

Cada estágio concluído me deixava angustiada, parecia que nada ia substituir a falta, mas aprendi que etapas devem ser concluídas para sermos apresentadas a novas experiências e essas podem nós fazer tão felizes quanto as anteriores. Hoje convicta da minha escolha, idealizo a futura profissão, sabendo dos riscos e dificuldades que serão enfrentados, estando preparada para criar alternativas e romper essas barreiras. Medo, angustia, preocupação, sim, muito, mas persistência, coragem e paixão pesam ainda mais.

(Sim, tenho uma ótima memória para datas).

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2 respostas em “A Bela Adormecida da Comunicação

  1. nesses mais de dois anos de convicência com a cris, tanto na com quanto no inss, me fizeram conhecer algo q eu vou levar pra minha vida inteira: NUNCA ACORDE A CRISTINA! ela é um perigo, sério.

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