

“Um depoimento”, o Jean me disse. Você já reparou que a maioria dos depoimentos de intercambistas começam assim: “com certeza, uma experiência única”. Fala sério! Qual não é única? Enfim, hoje compreendo a frase clássica. Entendo e vou confessar, eu já digitei ela também.
Veja! Para quem ainda não conhece Portugal vou contar: Portugal é um país pequeno em extensão territorial, localiza-se na ponta mais sudoeste da Europa, e partilha a Península Ibérica com Espanha, sendo um retângulo com praias banhadas pelo Oceano Atlântico, apesar das costas a sul receberem ainda as águas quentes do Mediterrâneo. Não esquecendo,
também as ilhas da Madeira e dos Açores, que são portuguesas. As montanhas mais altas são a Serra da Estrela, no Continente; e o Pico, na ilha do Pico, no Arquipélago dos Açores. O hino nacional é a A Portuguesa. O Fado, o melancólico fado, que muitos portugueses apreciam, são canções tristes que recordam as cruzes que as pessoas carregam, por assim dizer, pelo seu destino. Os portugueses são tolerantes em termos religiosos. Há diversos santos em Portugal – ainda bem, originam inúmeras festas. Penso que a mais conhecida é Nossa Senhora de Fátima, que, lembrando, fez o Milagre do Sol.
A capital é Lisboa, a cidade das sete colinas. As províncias do Douro, Alentejo e Ribatejo, as quais são reconhecidas pela excelência dos vinhos, aqueles que ganham prêmios internacionais. As praias e o clima suave de Portugal são indicados para visitação: o Algarve, por exemplo, dizem que é um destino privilegiado. Outras cidades famosas são o Porto, onde estou morando atualmente, e também Coimbra e Faro, sítios, ou seja, cidades lembradas como anfitriãs dos jogos do Campeonato Europeu de Futebol. Viu? Não tem graça nenhuma contar assim. Pior, em outros casos, melhor, sei lá… Só sei que não precisa vir até aqui pra saber isso.
O que eu acho válido e posso afirmar é que o intercâmbio está sendo uma experiência intensa. Uma vivência muito boa comparando com outros momentos que antes adotava como referencial. A época de adaptação teve situações agradáveis, outras nem tanto, algumas até mais que agradáveis. Porto, sem mais palavras, indescritível.
Resumindo, é uma cidade linda! Sei que minha estadia será breve e penso que será um marco em minha vida. Também, mas não somente, pelo lugar ou lugares que estou conhecendo. Creio que mais pela convivência com indivíduos com hábitos culturais diferentes do nosso. As relações estabelecidas, mesmo que momentâneas, possibilitam aculturação. A troca de conhecimento, tanto por contatos pessoais como profissionais, é encantadora no mundo todo, não apenas aqui: é bela na sua vitalidade,
não cabe nem compete tentar explicar.
Me sinto muito feliz por estar em um lugar que, por diversos fatores, consegue explorar muito bem isso. Inclusive, estou realizando uma disciplina chamada Comunicação Intercultural, onde metade da turma é intercambista – eu estou adorando! Lembro sempre da Nilse, ela iria gostar da aula. As discussões são hilárias, e acreditem, organizadas.
Não sei se estou certa ou errada, porém, ao ouvir a expressão “jeitinho brasileiro”, acho que deveríamos largar o fútil clichê. Sério: converter a idéia e manter ela associada à maneira como, apesar das dificuldades, nossos professores nos orientam para desenvolver o raciocínio, aprender a pensar…